Gravura japonesa
Conta-me contos, ama

Não sei, ama, onde era.
Nunca o saberei...
Sei que era Primavera
E o jardim do rei...
(Filha, quem o soubera!...)

Que azul tão azul tinha
Ali o azul do céu!
Se eu não era a rainha,
Porque era tudo meu?
(Filha, quem o adivinha?)

E o jardim tinha flores
De que não me sei lembrar...
Flores de tantas cores...
Penso e fico a chorar...
(Filha, os sonhos são dores...)

Qualquer dia viria
Qualquer coisa fazer
Toda aquela alegria
Mais alegria nascer
(Filha, o resto é morrer...)

Conta-me contos, ama...
Todos os contos são
Esse dia, e jardim e a dama
Que eu fui nessa solidão...

Fernando Pessoa



Olá meninos!

Todos gostam de ouvir contar histórias. E contá-las deve ser tão antigo como ter uma criança ao colo...

O que vos proponho aqui é que juntem as palavras para fabricar histórias.
Porém, não deixo a inspiração a vosso cargo, lanço-vos antes um desafio!
Na verdade, fui buscar a ideia a uma autora, Marta Tê, que escreveu um livro/bloco de notas cujo título era, justamente, Desafio: Escrever! . A autora lançava temas e, no final de tais exercícios de escrita, estaríamos aptos a escrever um conto ou uma novela.

Vou apresentar os desafios desta autora (espero não ser processada) na esperança de que os aceitem.

Pensaremos depois na publicação das vossas obras. Se não for possível, sempre podemos reconfortar-nos com os ouvidos atentos de uma criança. Haja criatividade e inspiração!

Helena

08 julho, 2009

Tema livre

Lição de vida
Vou começar a contar uma história. Esteja atento porque vai ser uma grande lição de vida.
Era uma vez um menino de rua, que passava o dia a dia a “lutar” contra a fome, problema muito comum na sociedade.
Não percebo nada sobre nada! Então hoje em dia, com as sociedades tão desenvolvidas, com tanta tecnologia que permite fazer quase tudo, hoje em dia há pessoas que ainda passam fome!?
Mas vamos voltar à história deste menino. Como nunca conheceu o nome, vamos chamá-lo menino.
O menino era um sonhador e ganhava a sua comida todos os dias com o seu grande talento, a dança. Ao meio-dia dançava, à tarde dançava, todo o dia fazia o que gostava e que era o seu único recurso para se manter vivo neste cruel mundo.
Um dia, quando o menino dava um dos seus grandes espectáculos, passou um famoso produtor que ficou boquiaberto! O menino parecia não ter limite, não tinha dificuldade em dançar qualquer tipo de música.
Em diálogo com um amigo o produtor exclamou:
- Não podemos fingir que não vimos aquele rapaz a dançar brilhantemente. Temos de ir falar com ele.
O menino ao ver aqueles dois homens que se aproximavam, assustado pegou numa faca e atacando com um golpe, feriu o amigo do produtor numa perna. Ficou com a faca em punho e ameaçava os homens para estes o deixarem em paz. O produtor, com medo de ser ferido, gritava ao menino:
- Pára, nós só queremos falar contigo, pára!
O menino, ao ver aquele ar de terror do produtor, muito lentamente foi baixando a faca.
O produtor chamou uma ambulância que por sinal demorou 30 minutos a percorrer 100 metros, até parecia que estávamos em Portugal!
O menino conversou com o produtor e ficou decidido que o menino ia abandonar as ruas e ia começar a praticar e seguir a carreira de bailarino profissional, e quando crescesse ai ser o melhor bailarino de sempre da história da dança.
O menino, ao ouvir aquelas palavras, ficou cativado e sentiu nova vontade de viver.
Os anos foram passando e, com a ajuda do produtor, o jovem foi juntando dinheiro e conseguiu comprar a sua casa.
Passados vinte anos e com uma infância que muitos meninos ainda vivem, o jovem ficou rico e em vez de esbanjar dinheiro - como fazem muitas pessoas que pensam que têm tudo só por terem dinheiro, mas afinal não têm nada de nada, bem foi um aparte -, o jovem comprou uma fundação para ajudar jovens com os mesmos problemas que ele viveu. E quem arranjou como sócio? Nada mais nada menos que Luís Figo, um jogador com muitas posses que o ajudou a conseguir este feito.
Esta historia ilustra uma realidade e também um caso de sucesso na vida de uma pessoa, por isso digo se têm um talento ou uma oportunidade não os desperdicem, lutem, trabalhem para que as vossas vidas sejam boas e felizes. Sejam humildes e lutem…..
_______________________________________ Jota F.
Em busca de um sonho

Esta é a história de uma menina chamada Sofia. Ela sonhava ser professora de dança.
Por trás de uma cortina, Sofia dançava todos os dias com o seu vestido vermelho.
Ela era linda, com os seus cabelos claros, longos e brilhantes, a sua pele macia, os seus olhos azuis, tudo era belo em Sofia, era uma autêntica princesa!
Sofia vivia numa avenida muito bonita e quando saia da escola ia almoçar a casa.
Depois ia para o seu quarto, e aproveitava para dançar.
Enquanto dançava, usava sempre uma máscara lilás, dizia que assim se sentia melhor…
Sofia foi crescendo, e cada dia que passava via o seu sonho tornar-se realidade.
A dada altura, Sofia viu afixado, numa paragem de autocarros, um cartaz para um workshop de dança.
Sorridente, foi a correr para casa dizer aos seus pais que a apoiaram e concordaram que ela fosse ao workshop.
Chegou o grande dia. Sofia estava ansiosa, impaciente e com os nervos à flor da pele, tinha receio que algo corresse mal…
Chegou a sua vez e Sofia tremia por todo o lado, entrou para uma sala onde se encontravam vários júris.
Quando ela entrou uma senhora que fazia parte do júri disse:
-Olá Sofia! Acalme-se, vai correr tudo bem…
Sofia respondeu silenciosamente com um sorriso envergonhado.
A sessão começou, e Sofia demonstrou tudo que aprendera e tudo o que sabia fazer!
Os júris ficaram embasbacados ao ver tal talento, à excepção de um membro chamado Luís Jardim.
Nunca tinham visto nada assim… Sofia dançava e encantava ao mesmo tempo, parecia magia, algo fora do comum…
Acabou a sessão e a senhora que mandou acalmar Sofia disse-lhe:
-Encantada! Lindo! Maravilhoso! Por mim já ganhaste este workshop, foi fantástico!
Após este discurso o júri reuniu demoradamente. Houve uma grande confusão porque decidiram que Sofia tinha sido a melhor, mas Luís insistia e dizia que não era justo ela ganhar porque não tinha formação clássica, era autodidacta e não tinha posses para continuar.
Porém os outros membros conseguiram convencê-lo de que Sofia seria uma boa aposta.
Sofia ansiava enquanto esperava …
Depois de prolongada reunião, os júris dirigiram-se a Sofia já com o voto de Luís e disseram-lhe que era a vencedora do workshop.
E a senhora voltou a dialogar com Sofia dizendo:
-És uma linda menina, que dança muito bem! Nunca tinha assistido a uma dança tão arrebatadora como a tua! Deste um grande espectáculo!
Sofia, já com um ar tranquilo, respondeu:
-Muito obrigado por tudo! O meu sonho é ser professora de dança! É uma paixão que eu tenho desde criança…
Os júris aplaudiram Sofia com uma salva de palmas e disseram-lhe que acabara de ganhar um convite para dançar numa academia de dança em Londres.
Sofia esboçou um sorriso enorme e foi contar a grande novidade aos seus pais.
Estes ficaram felicíssimos por tal novidade, abraçaram a filha, e felicitaram-na.
No dia seguinte, a família partiu para Londres à busca do sonho de Sofia que prosseguiu com o entusiasmo que mantinha desde criança.

___________________________________Patrícia Ribeiro

05 julho, 2009

Desafio 11

Crianças em Aão











By: Jasenka Petanjek (Zagreb)

Material necessário:
Papel, Caneta, Parque Infantil ou outro local com crianças a brincar.

Exercício:
Trata-se de um exercício de observação e de uma escrita seca, desprovida de adornos. Está proibida a utilização de adjectivos e metáforas ou outras figuras de estilo. Pretende-se, apenas, que descrevas acções, em frases curtas e dando privilégio, obviamente, aos verbos. Se "a criança de olhos azuis e bibe às risquinhas desce, reguila e risonha, o escorrega", deverás escrever qualquer coisa do tipo: "Criança sobe escadas do escorrega. E ri. E desce o escorrega. E ri."
in, desafio: escrever
Desafio 10
Telegrama

Material necessário:
Papel,Caneta

Exercício:
O contexto é o mesmo do exercício anterior, Carta de Despedida. A diferença é que, agora, tudo se precipitou e não houve tempo para uma longa carta de despedida. Chegado ao destino, envias um telegrama com explicações. O telegrama deverá ter no máximo 15 palavras.
in, desafio: escrever

Telegrama

Venho despedir-me através de telegrama. Fui-me embora porque não gosto de ti.
Adeus


__________________________________ Diogo Assunção
Desafio 9

Carta de Despedida

Material necessário:
Papel, Caneta

Inspiração:
Há alguém que decide partir, depois de uma difícil e longa reflexão, mas deseja explicar ao que fica todas as razões que o levaram a esse acto desesperado.

Exercício: Tu és aquele que parte e que deixa uma longa carta de despedida com todas as explicações àquele que fica.

in, desafio: escrever
Desafio 8

Homem Por Fora, Bicho Por Dentro

Material necessário:
Papel ,Caneta

Inspiração:
Ele sente-se doente. E confuso. Marcou uma consulta num psiquiatra. Está, neste momento, deitado no divã. Exercício: O exercício anterior (Mistério em Forma de Mulher) forneceu-te 5 palavras que terás de utilizar no monólogo deste homem. Ele conta ao psiquiatra tudo aquilo que o preocupa, incomoda e a razão porque o está a consultar.
in, desafio: escrever
Homem por fora, bicho por dentro

- Bom dia, senhor doutor. A natureza desta consulta é porque eu tenho tido uns sonhos estranhos e creio que estou a ficar louco.
O psiquiatra disse ao paciente para ter calma e lhe contar mais sobre esse sonho. Foi então que ele disse que estava a sonhar com a sua falecida mulher e que ela lhe dizia para ele ir ter com ela onde moravam antigamente, quando ela era viva.
O médico decidiu marcar uma consulta de hipnose. Passados quatro dias ele foi à dita consulta e estava bastante nervoso com o que psiquiatra lhe poderia dizer no final da sessão. O doutor descobriu que a mulher não estava morta, como o paciente havia pensado. Estava viva e fazia-lhe bruxarias para ele ficar assim.
O paciente interrogou-se:
- Mas porque é que ela está a fazer isto?! Nunca tive nada de mal com ela, sempre estivemos bem!
Visto isto o psiquiatra tentou explorar mais profundamente aquela história. Uns tempos depois o homem morre de causas naturais e sem explicação. Para além disso, era uma pessoa nova.
________________________________________ David Vivas
O homem trabalhador

Ele sentia-se um pouco doente. Passados alguns dias na mesma condição, marcou uma consulta num médico. Nesse mesmo dia pediu alguns dias de férias e de seguida foi para casa descansar, deitou-se no divã a ver televisão. No outro dia foi ao médico mas o médico não encontrou nada de anormal nele: fez vários exames e só acusou cansaço. O médico mandou-o para casa descansar e fazer poucos esforços.
O homem, em vez de ir trabalhar, no dia seguinte não! Gozou o resto dos dias como a maior parte dos portugueses faz e é por estas e por outras que o país está assim.
Quando regressou ao trabalho parecia um bicho-do-mato a esconder-se dos colegas e dos amigos, só para não trabalhar e para não conviver com as pessoas no trabalho.
________________________________________J. Nunes

Homem por Fora, Bicho por Dentro

Está um homem deitado no divã ao lado de um psiquiatra.
Ele diz sentir-se doente e confuso e para tal marcou esta consulta.
O psiquiatra começa por perguntar se já alguma vez se tinha sentido assim e pedindo para definir o que sentia mesmo ao certo.
O paciente aparenta um ar muito estranho e lambe-se como um animal.
O psiquiatra vê que tem um caso muito bicudo com este homem.
O homem começa por dizer que a mulher fugiu com outro e ele ultimamente não tem dormido e que tem andado a vaguear pelas ruas com a companhia de uma garrafa de vinho.
Acabada a sessão o psiquiatra avalia o doente e vê que ele não é lá muito certo e pensa que a mulher o deve ter deixado por isso.
Passados dois dias o doente volta para outra sessão.
O psiquiatra começa por perguntar como estava e se ainda tinha aqueles sintomas ao que o paciente responde que andava com desejo de comer peixe.
O psiquiatra concluiu que o homem devia pensar que era um animal.
Meu amigo diga-me como e que a sua mulher o deixou – pede ele ao doente. Então o homem começa por dizer que está ali porque os amigos o aconselharam a consultar um psiquiatra, dizendo que ele estava maluco.
Bem, acho que os seus amigos lhe deram um bom conselho mas conte-me a causa de tanta agitação a razão de a sua mulher o ter deixado, para o poder ajudar - continuou o médico.
Sr. Doutor, a minha mulher deixou-me pois ela dizia que eu começava a ter comportamentos estranhos e ela tinha um amante de 89 anos com muito dinheiro. Dada a situação comecei a andar de bar em bar e pelas ruas - continuou o doente.
O psiquiatra pergunta-lhe quais eram os comportamentos estranhos ao que ele responde que certo dia estava num beco e começou a falar com um gato, passando a falar todos os dias com ele.
O psiquiatra viu que a cura do homem não era assim tão fácil e optou pelo internamento num manicómio até que ele recuperasse.
Porém não foi assim. O homem foi para o manicómio e piorou, começou a falar sozinho e a comportar-se como um gato.
______________________________________Fábio Trindade
HOMEM POR FORA, BICHO POR DENTRO

Senhor doutor, só vim à sua consulta porque me obrigaram. É escusado dizer que sou um autêntico bicho por dentro e que as pessoas têm a ideia que uma consulta de psiquiatra é equivalente a uma consulta de malucos. Mas pronto, eu lá vim à consulta para não me chatearem mais...
Pronto ok, até lhe confesso, senhor doutor, que me sinto um pouco embicharado por dentro e até mesmo perturbado cada vez que penso em certas coisas.
Todos os psiquiatras dizem que têm absoluto sigilo profissional mas será mesmo? Se o senhor doutor prometer que esta conversa não sai deste gabinete, então atrevo-me a contar-lhe tudo, para que alguém, ao menos, me tente ajudar e me tente perceber.
Em síntese, limito-me a dizer-lhe que me sinto completamente derrotado pela vida, para além de me sentir completamente desamparado, sozinho, triste, desiludido e magoado com tudo e todos.
Palavras? Para quê? Oh senhor doutor, falar é muito fácil mas o pior é sentir-me como me sinto.
Mais concreto do que isto não consigo: sinto-me um autêntico homem por fora e bicho por dentro.
Se me perguntarem se tenho razões concretas para me sentir assim eu respondo-lhe, imediatamente, que a minha vida já não tem sentido nenhum e soluções concretas para o meu estado já não existem.
Pronto, isto é basicamente o que sinto e mexe cá dentro de mim.
Mas, senhor doutor, peço-lhe por tudo que esta conversa morra aqui neste gabinete, pois já tenho a fama de ser maluco e não necessito de ter mais.
E agora o que faço, senhor doutor?
É possível um homem sentir-se homem por fora e bicho por dentro?
Confesso que no início não queria vir à sua consulta mas agora que me fartei de falar, pelo menos sinto-me mais aliviado e com a ideia que afinal muitas pessoas deveriam passar pelo mesmo que eu, para perderem a ideia que as consultas de psiquiatria são só para malucos.
Por favor, ajude-me senhor doutor.
Sou um autêntico homem por fora e bicho por dentro...

______________________________________Patrícia Narciso
Desafio 7

Mistério em Forma de Mulher

Material necessário:
Papel
Caneta

Inspiração:
É inverno. São 6 horas da tarde. Está escuro, faz frio e chove... muito. Uma mulher jovem e bonita, parada no meio do passeio, protegida apenas pela gabardina que traz vestida, chora. O rímel escuro, escorre-lhe pelo rosto e o cabelo, liso e comprido, cola-se à testa, à boca, ao pescoço. Desces, debaixo do teu guarda chuva, essa rua e passas por ela. Exercício: Utiliza 5 palavras para descrever o que pensaste, sentiste, imaginaste, perante a situação acima descrita.

in, desafio: escrever
Desafio 6

Sopa de Letras

Material necessário:
Papel
Caneta

Inspiração:
1. Dançar
1. Framboesa
1. Azul
1. Noite

2. Comer
2. Cortina
2. Vermelho
2. Beco

3. Zangar
3. Brincos
3. Amarelo
3. Madrugada

4. Morder
4. Faca
4. Carmim
4. Avenida

5. Contaminar
5. Cigarro
5. Cinza
5. Meio Dia

6. Desconfiar
6. Máscara
6. Lilás
6. Quarto

7. Mentir
7. Escultura
7. Verde
7. Praça

Exercício:
Escolhe um número de 1 a 7. E mais outro número (de 1 a 7). Ainda mais um. E um quarto e último. Agora, e com os números que escolheste, vais fazer-lhes corresponder 4 palavras de entre as 28 que se encontram na Inspiração. Essas 4 palavras terão de fazer parte da história que vais agora escrever. Deverá ter, no máximo, 2 páginas e não deverás demorar mais de 15 minutos a escrevê-la.
Desafio 5

Poesia I

Material necessário:
Papel
Caneta

Inspiração:

"Que tristeza tão inútil essas mãos
Que nem sequer são flores
que se dêem:
abertas são apenas abandono
fechadas são pálpebras imensas
carregadas de sono."


As Mãos, de Eugénio de Andrade




Exercício:
O poeta descreve acima umas mãos. Procura, também, algo simples para observar - uma flor, um fruto, um sorriso, um peixe dourado no aquário. Agora tenta utilizar uma linguagem próxima da poesia, capaz de causar sensações e emoções.

in, desafio: escrever


O que é o Amor?

O que é o amor?
Para uns é um sentimento que provoca dor
Para outros, um sorriso com pudor.
Alguém uma vez me disse que era uma “alhada”,
Outro alguém me disse que era uma “lágrima derramada”.
O que é este sentimento afinal?
Sentimento cheio de significados…
Sentimento cheio de medos delicados…
Amor não é paixão!
Amor é no fundo desilusão,
Mas…
Amor também é sorrir
Amor é destruir ao agir.
Então, o que é o amor?
Uma mistura de sentimentos,
Sentimentos cheios de momentos…

____________________________________ Filipa Gavancha

Amizade

Amizade é um dos bens mais preciosos da vida…
Não importa a distância,
Não importa a idade,
Não importa a saudade…

Amizade provoca saudade
E saudade provoca amizade,

Saudades…saudades…saudades…
Saudades que nunca esqueci…

Nunca mais te vi,
Mas sei que esta amizade
Ficará sempre dentro de mim…

Não sei onde estás,
Não sei como estás…
Mas sei que cá dentro sempre estarás!

____________________________________ Filipa Gavancha


Os peixes e o mar


O mar, esse mundo enorme e imenso
Que nos deixa tensos
Com medo de o observar!
Nesse reino vivem os peixes
Lideres desse grande mundo
Em que o homem é mudo
Não podendo respirar.


Tal como no sermão em que
Padre António Vieira elogia
Aqueles seres como bons ouvintes
Que o mundo desconhecia


Um peixe pode ser sereno
Mas como no mundo há maldição
Uma coisa é certa,
O homem pode ser pleno
Mas parece não ter coração.


O que Vieira disse é verdade
O homem vai ver que está a acontecer
E a triste realidade
É que este mundo vai morrer.

________________________________________ Jota F.


O teu sorriso

O teu sorriso é tão lindo
Como o amor que sinto por ti.
E sem ti que seria de mim?
Porque sem ti minha pulsação pára!
Fico sem metade do meu coração
E sem metade da minha cara…

É o teu andar que me prende o olhar,
É teu jeito de ser que me fascina
E teu poder de sedução que me domina.

O teu sorriso tem poder sobre mim…
É um saber sorrir
Do tamanho da ternura
Formosa, discreta e segura…

_____________________________________ Patrícia Ribeiro


Que ingrata és

Que Vida tão ingrata, a de hoje.
Oh Vida, quem és tu?
Dizem que até não és má de todo,
Desde que te saibamos levar no dia-a-dia
Mas... Estaremos nós cientes da realidade?
Quantas vezes tiras o que as pessoas têm e não têm?
Oh Vida, quem és tu?
Dizem que o teu lema é, acima de tudo,
“ Vive a Vida ”
É muito fácil falar, pior é agir.
Oh Vida, quem és tu?
Dizem que viver é o melhor que há,
Mas... Será mesmo?
Oh Vida, quem és tu?
Quantas vezes já houve pessoas
A virarem-te as costas?
Quantas vezes já houve pessoas
A desistirem de tudo, por tua culpa?
Oh Vida, quem és tu?
Mais tarde ou mais cedo,
Dás cabo de quem queres e não queres...
Oh Vida, quem és tu, afinal?
Serás um autêntico poço de mistérios,
E o que reina é a tua linguagem,
Toda ela feita de códigos.
Para nós descodificados?
Oh Vida, quem és tu, afinal?
Serás um enorme poço sem fim,
Do qual um dia conseguiremos sair?
Oh Vida, quem és tu, afinal?
És muito mais que uma alucinante aventura
Da qual jamais conseguiremos regressar.
Oh Vida, quem és tu, afinal?
Oh Vida, porque és assim?
Porquê, Vida?
Vida...
Perco-me em ti!


____________________________________ Patrícia Narciso


Desafio 4

Estranha realidade

Material necessário:
Papel
Caneta

Inspiração:
Josefa é empregada de limpeza. Como de costume, à segunda feira de manhã, limpa o estúdio do menino Pedro, que "estuda para arquitecto".
Esta manhã deparou-se com uma estranha realidade: debaixo da almofada, da sua cama de solteiro, encontrou um colar de pérolas e um ovo cozido.

Exercício:
Um colar de pérolas e um ovo cozido debaixo de uma almofada... ora aí está uma situação bizarra!
Mas é precisamente com base nesta bizarra realidade que vais escrever um pequeno texto, onde deverão ainda figurar as palavras analfabeto e porco-espinho.
in, desafio: escrever



Estranha realidade

Josefa é empregada de limpeza. Como de costume, à segunda-feira de manhã, limpa o estúdio do menino Pedro, que “estuda para arquitecto”.
Esta manhã deparou-se com uma estranha realidade: debaixo da almofada, da sua cama de solteira, encontrou um colar de pérolas e um ovo cozido.
Tudo aquilo parecia uma espécie de macumba qualquer ou bruxaria mas Josefa nem ligou e continuou o seu dia como se não fosse nada. Porém havia qualquer coisa errada nela naquele dia, algo parecia não estar bem mas Josefa não conseguia entender o quê…
Até que algo de muito estranho aconteceu. O menino Carlinhos passou a correr e ouviu-se no andar de cima um enorme estrondo. A jarra italiana da mãe tinha-se partido, E agora?! Que desastre!
Josefa foi lá a cima a correr e quando lá chegou estava tudo intacto, nada partido, nada desarrumado, tudo certinho e direitinho. Que coisa estranha, Josefa não entendia o que se passava não conseguia perceber o porquê de tudo estar a acontecer. Foi continuando o seu dia e mais coisas insólitas aconteceram. O menino Carlinhos estava no jardim o começou aos gritos a dizer que tinha caído, Josefa de imediato foi lá abaixo. Desceu três andares a correr e quando chegou ao pé do menino Carlinhos ele não tinha nada, estava sentado a brincar no jardim como se nada fosse. Josefa ficava cada vez mais confusa.
Mais tarde percebeu o que lhe estava a acontecer, quando estava a limpar uma estante e tocou numa mesa que tinha um jarro de água. Quando o jarro caiu ao chão ela olhou para o jarro e ele levitou do chão de novo para a mesa, com a água dentro e intacto. Josefa nem queria acreditar, todo aquele dia estava muito estranho para ela, só estavam a acontecer coisas fora do normal.
Até que o impossível aconteceu, o sonho dela tornou-se realidade Josefa era agora uma actriz na sua novela predilecta, o que tinha sido sempre o seu sonho. Foi então que ela entendeu que aquilo que parecia uma macumba debaixo da almofada lhe tinha dado todos os poderes que ela tinha agora. Josefa, sem saber tinha o poder de fazer acontecer tudo aquilo em que pensa. Foi algo extraordinário que fez dela uma mulher estranha mas bem sucedida, com tudo na vida e também com muita inveja.
Essa inveja atingiu o seu auge no dia em que a desconhecida velha bruxa, que lhe pôs tudo aquilo debaixo da almofada, lhe tirou o que de mais valioso Josefa tinha, não os poderes mas a vida.
Da forma mais dramática e mais macabra que podia haver, Josefa foi encontrada no meio dum bosque por um lenhador analfabeto, pendurada numa árvore pelos pés, já sem a cabeça, que já tinha rebolado por entre as silvas, para longe, e cheia de cicatrizes, como se tivesse sido esquartejada. O lenhador aproximou-se da cabeça da senhora para reconhecê-la e, nesse instante, saiu um porco-espinho de dentro da sua cabeça! Todo ensanguentado, parecia um animal demoníaco, uma imagem que ninguém esqueceria, de tão macabra. O seu corpo tinha sido torturado, o que não se desejaria a ninguém, nem ao pior inimigo. E assim terminou a triste história de Josefa, uma senhora que um dia acordou com objectos estranhos na almofada e acabou morta e enterrada!
______________________________________ Alexandre Dias
A desastrada

Dona Josefa é empregada de limpeza. Alta, muito fina, nem parece uma empregada! Com colares de pérolas, muito pintada, trabalha na casa do menino David. Como é costume, ela vai fazer limpeza nas quartas e nas sextas-feiras à tarde para a casa do David. Este estuda Desporto, mas não tem muito futuro porque é um pouco analfabeto e distraído.
Na quarta-feira de tarde, Josefa foi fazer limpeza e, ao entrar no quarto do David, assustou-se ao ver um vulto debaixo da cama do menino. De repente ela saltou para cima da cama a gritar muito, parecia muito alterada. Só passado algum tempo é que se acalmou e desceu-se da cama. Quando fez isso o porco-espinho sai debaixo da cama e ficou deitado no tapete. Ela ao meter os pés no tapete não reparou e esmagou o bicho. O David ao ver aquele trabalho não ficou muito satisfeito com a empregada por ela ter feito o que fez. Teve muita pena do seu bicho de estimação a quem dava ovo cozido e outras comidas de que ele gostava.

_____________________________________ J. Nunes
Estranha realidade

António José Ferreira, agricultor de nascença, vive numa aldeia perto de uma outra, junto a Portalegre. Ele e sua mulher Josefina, ambos analfabetos, têm uma horta onde cultivam os seus legumes e onde têm os seus animais.
Certo dia recebem uma carta para irem à cidade, a uma consulta no hospital. António diz que é para ir receber um porco-espinho mas nenhum deles sabe ler e então gera-se uma grande confusão!
Partem os dois para a cidade, onde vão à procura do seu suposto prémio. António pergunta a um senhor que passa, onde pode receber o porco-espinho e mostra-lhe a carta. Esse senhor lê a carta e diz-lhe que não é para receber nenhum porco-espinho mas para se dirigir ao Hospital. O casal dirige-se então ao Hospital onde o médico lhes diz que não podem comer carne de porco. De volta a casa, António José e Josefina Maria encontram o seu filho, Pedro Manuel, a brincar com um colar de pérolas, tirado à sua falecida avó no dia do seu funeral, ao mesmo tempo que comia um ovo cozido, ou melhor, cru.
Sua mãe pergunta-lhe onde foi ver do ovo que estava a comer, ao que ele responde:
-Tirei-o do rabo do porco-espinho que ganhei.

___________________________________ Diogo Assunção

Gostei do teu texto apesar de ter que fazer algumas alterações. É um texto absurdo e cómico.


Josefa

Josefa é empregada de limpeza. Como de costume, à segunda-feira de manhã, limpa o estúdio do menino Pedro, que “estuda para arquitecto”.
Esta manhã deparou-se com uma estranha realidade: debaixo da almofada, da sua cama de solteira, encontrou um colar de pérolas e um ovo cozido.
Sem saber o que se passava nem o que pensar, perguntou ao menino Pedro que não lhe respondeu, tendo ela ficado ainda mais curiosa. O menino Pedro acabou de tomar o pequeno-almoço e saiu para as aulas. Josefa estava a achar tudo aquilo muito bizarro. Acabou as limpezas no estúdio e foi falar com os pais de Pedro, para ver se sabiam de alguma coisa mas eles nada sabiam.
Na semana seguinte, estava outro ovo debaixo da almofada. Josefa perguntou ao menino Pedro e ele voltou a dizer que não sabia. Foi então que Josefa insistiu: “Mas o menino tinha um colar e um ovo cozido debaixo da almofada”. O menino Pedro respondeu-lhe que não era analfabeto e que sabia o que era.
Horas depois o menino aproximou-se de Josefa pedindo-lhe desculpas pelos seus modos e disse-lhe a verdade: tinha um porco-espinho escondido no quarto que gostava muito de brincar com o colar de pérolas e comer ovos cozidos. Pedro não queria que os pais soubessem para não ficar sem o animal e por isso fez tudo aquilo. Josefa ficou bem mais descansada e já não pensava que o menino tinha perdido o juízo.

____________________________________ David Vivas

Estranha Realidade

Josefa ao reparar naquela estranha realidade deixou o colar de pérolas e o ovo cozido no mesmo sítio. Quando o menino Pedro chegou a casa perguntou-lhe para que servia aquilo debaixo da sua almofada. Ele respondeu que Josefa não tinha nada a ver com aquilo e que era uma analfabeta e não passava de uma empregada que nem comida sabia dar a um porco-espinho.
Josefa, aterrorizada com a resposta do menino Pedro, vai falar com os pais deste e conta-lhes o que se tinha passado. Quando os pais falaram com o rapaz estranharam a sua reacção porque ele tinha-se transformado em algo que não era. Deixou de estudar arquitectura e de se dar com os seus amigos de infância, tendo começado a isolar-se com grupos de pessoas que faziam magia negra.
Pedro desapareceu de casa, três dias depois de a sua empregada ter descoberto os estranhos objectos debaixo da sua almofada. Tudo isto se passou há quinze anos atrás e Pedro nunca mais foi encontrado. Todas as semanas encontram, no seu quarto, debaixo da sua almofada,um colar de pérolas e um ovo cozido que são retirados quando aparecem. A sua empregada e os seus pais deixaram de falar para sempre. Autoridades e especialistas estudaram esta estranha realidade e nunca ninguém conseguiu descobrir nem perceber o que se tinha passado com Pedro.

_________________________________________ J. F.
Gostei . Muito enigmático

27 maio, 2009

Desafio 3

Ouvidos à Escuta

Material necessário:
Papel
Caneta
Espaço confortável onde sentar ou deitar
Música de fundo (clássica, fado, bossa nova, por exemplo)

Exercício:

Fundamental neste exercício é sentires-te confortável e descontraído.
Põe uma música à tua escolha. Absorve-a pelos ouvidos e através da pele.
Vai escrevendo o que quer que a música te surgira.
Podes repetir este exercício com diferentes tipos de música.

29 abril, 2009

Desafio 2

De Olhos Bem Abertos

Material necessário:
Papel, Caneta

Exercício:

Abre os olhos.Bem abertos.Fixa, no meio dos objectos que tens por perto, aquele que te chama mais a atenção, seja qual for a razão.Agora vais descrevê-lo minuciosamente para um invisual por forma a que, mesmo para ele, o objecto se torne visível.
in, desafio: escrever

28 abril, 2009

Primeiro desafio

De Olhos Bem Fechados

Material necessário:
Papel, Caneta, Venda para os olhos

Exercício:

Venda os olhos.Não espreites.Sente o Escuro à tua volta.Apercebe-te dos sons, e das texturas que tens ao alcance das mãos.Agora escreve, de olhos bem fechados, aquilo que te apetecer.

in, desafio: escrever


Fecho os olhos

Fecho os olhos, vejo-me longe de tudo o que realmente me rodeia. No meio de tanta gente sinto apenas o vazio, ouvindo música e o som das teclas no mundo banal de aulas de seca, nas quais aprendemos a sobreviver em grupo.
Volto a fechar os olhos e imagino-me como se estivesse longe daqui. Haveria mil lugares mais interessantes para estar mas a realidade prende-me aqui, rodeada de colegas, numa simples sala, onde passamos os dias. Consigo apenas imaginar o que estará para lá destas paredes e destas janelas mas, mesmo observando o que esta lá fora, continuo aqui, ainda que por momentos o meu pensamento fuja para lugares que penso por vezes até só existirem na minha imaginação.
Tento encontrar inspiração lá fora mas lembro-me apenas que continuo aqui, no canto esquerdo da sala, a olhar para uma folha de papel onde poderia ficar horas a escrever sem nunca conseguir explicar o que realmente me rodeia, os sítios onde a minha imaginação me leva sem dizer o que me rodeia, sem explicar este mundo que está na minha cabeça.
Porém seriam palavras demasiado fora da realidade para o descrever, acabando aqui algo que do nada sai e que talvez só para minha faça sentido.

________________________________________ Marília Beliz

22 abril, 2009

Desafio: Escrever,


Introdução

Como já referi, esta ideia surgiu da leitura de um livro de Marta Tê, Desafio:Escrever, editado pela Coolbooks.

Como vai ser lançado o desafio?

É muito simples. A cada segunda-feira surge um novo exercício de escrita. Na segunda-feira seguinte, a criação de cada um é colocada no blogue e novo exercício de escrita é proposto.

No espaço de tempo que medeia entre as duas datas, cada um escreve o que quiser.