Gravura japonesa
Conta-me contos, ama

Não sei, ama, onde era.
Nunca o saberei...
Sei que era Primavera
E o jardim do rei...
(Filha, quem o soubera!...)

Que azul tão azul tinha
Ali o azul do céu!
Se eu não era a rainha,
Porque era tudo meu?
(Filha, quem o adivinha?)

E o jardim tinha flores
De que não me sei lembrar...
Flores de tantas cores...
Penso e fico a chorar...
(Filha, os sonhos são dores...)

Qualquer dia viria
Qualquer coisa fazer
Toda aquela alegria
Mais alegria nascer
(Filha, o resto é morrer...)

Conta-me contos, ama...
Todos os contos são
Esse dia, e jardim e a dama
Que eu fui nessa solidão...

Fernando Pessoa



Olá meninos!

Todos gostam de ouvir contar histórias. E contá-las deve ser tão antigo como ter uma criança ao colo...

O que vos proponho aqui é que juntem as palavras para fabricar histórias.
Porém, não deixo a inspiração a vosso cargo, lanço-vos antes um desafio!
Na verdade, fui buscar a ideia a uma autora, Marta Tê, que escreveu um livro/bloco de notas cujo título era, justamente, Desafio: Escrever! . A autora lançava temas e, no final de tais exercícios de escrita, estaríamos aptos a escrever um conto ou uma novela.

Vou apresentar os desafios desta autora (espero não ser processada) na esperança de que os aceitem.

Pensaremos depois na publicação das vossas obras. Se não for possível, sempre podemos reconfortar-nos com os ouvidos atentos de uma criança. Haja criatividade e inspiração!

Helena

08 julho, 2009

Tema livre

Lição de vida
Vou começar a contar uma história. Esteja atento porque vai ser uma grande lição de vida.
Era uma vez um menino de rua, que passava o dia a dia a “lutar” contra a fome, problema muito comum na sociedade.
Não percebo nada sobre nada! Então hoje em dia, com as sociedades tão desenvolvidas, com tanta tecnologia que permite fazer quase tudo, hoje em dia há pessoas que ainda passam fome!?
Mas vamos voltar à história deste menino. Como nunca conheceu o nome, vamos chamá-lo menino.
O menino era um sonhador e ganhava a sua comida todos os dias com o seu grande talento, a dança. Ao meio-dia dançava, à tarde dançava, todo o dia fazia o que gostava e que era o seu único recurso para se manter vivo neste cruel mundo.
Um dia, quando o menino dava um dos seus grandes espectáculos, passou um famoso produtor que ficou boquiaberto! O menino parecia não ter limite, não tinha dificuldade em dançar qualquer tipo de música.
Em diálogo com um amigo o produtor exclamou:
- Não podemos fingir que não vimos aquele rapaz a dançar brilhantemente. Temos de ir falar com ele.
O menino ao ver aqueles dois homens que se aproximavam, assustado pegou numa faca e atacando com um golpe, feriu o amigo do produtor numa perna. Ficou com a faca em punho e ameaçava os homens para estes o deixarem em paz. O produtor, com medo de ser ferido, gritava ao menino:
- Pára, nós só queremos falar contigo, pára!
O menino, ao ver aquele ar de terror do produtor, muito lentamente foi baixando a faca.
O produtor chamou uma ambulância que por sinal demorou 30 minutos a percorrer 100 metros, até parecia que estávamos em Portugal!
O menino conversou com o produtor e ficou decidido que o menino ia abandonar as ruas e ia começar a praticar e seguir a carreira de bailarino profissional, e quando crescesse ai ser o melhor bailarino de sempre da história da dança.
O menino, ao ouvir aquelas palavras, ficou cativado e sentiu nova vontade de viver.
Os anos foram passando e, com a ajuda do produtor, o jovem foi juntando dinheiro e conseguiu comprar a sua casa.
Passados vinte anos e com uma infância que muitos meninos ainda vivem, o jovem ficou rico e em vez de esbanjar dinheiro - como fazem muitas pessoas que pensam que têm tudo só por terem dinheiro, mas afinal não têm nada de nada, bem foi um aparte -, o jovem comprou uma fundação para ajudar jovens com os mesmos problemas que ele viveu. E quem arranjou como sócio? Nada mais nada menos que Luís Figo, um jogador com muitas posses que o ajudou a conseguir este feito.
Esta historia ilustra uma realidade e também um caso de sucesso na vida de uma pessoa, por isso digo se têm um talento ou uma oportunidade não os desperdicem, lutem, trabalhem para que as vossas vidas sejam boas e felizes. Sejam humildes e lutem…..
_______________________________________ Jota F.
Em busca de um sonho

Esta é a história de uma menina chamada Sofia. Ela sonhava ser professora de dança.
Por trás de uma cortina, Sofia dançava todos os dias com o seu vestido vermelho.
Ela era linda, com os seus cabelos claros, longos e brilhantes, a sua pele macia, os seus olhos azuis, tudo era belo em Sofia, era uma autêntica princesa!
Sofia vivia numa avenida muito bonita e quando saia da escola ia almoçar a casa.
Depois ia para o seu quarto, e aproveitava para dançar.
Enquanto dançava, usava sempre uma máscara lilás, dizia que assim se sentia melhor…
Sofia foi crescendo, e cada dia que passava via o seu sonho tornar-se realidade.
A dada altura, Sofia viu afixado, numa paragem de autocarros, um cartaz para um workshop de dança.
Sorridente, foi a correr para casa dizer aos seus pais que a apoiaram e concordaram que ela fosse ao workshop.
Chegou o grande dia. Sofia estava ansiosa, impaciente e com os nervos à flor da pele, tinha receio que algo corresse mal…
Chegou a sua vez e Sofia tremia por todo o lado, entrou para uma sala onde se encontravam vários júris.
Quando ela entrou uma senhora que fazia parte do júri disse:
-Olá Sofia! Acalme-se, vai correr tudo bem…
Sofia respondeu silenciosamente com um sorriso envergonhado.
A sessão começou, e Sofia demonstrou tudo que aprendera e tudo o que sabia fazer!
Os júris ficaram embasbacados ao ver tal talento, à excepção de um membro chamado Luís Jardim.
Nunca tinham visto nada assim… Sofia dançava e encantava ao mesmo tempo, parecia magia, algo fora do comum…
Acabou a sessão e a senhora que mandou acalmar Sofia disse-lhe:
-Encantada! Lindo! Maravilhoso! Por mim já ganhaste este workshop, foi fantástico!
Após este discurso o júri reuniu demoradamente. Houve uma grande confusão porque decidiram que Sofia tinha sido a melhor, mas Luís insistia e dizia que não era justo ela ganhar porque não tinha formação clássica, era autodidacta e não tinha posses para continuar.
Porém os outros membros conseguiram convencê-lo de que Sofia seria uma boa aposta.
Sofia ansiava enquanto esperava …
Depois de prolongada reunião, os júris dirigiram-se a Sofia já com o voto de Luís e disseram-lhe que era a vencedora do workshop.
E a senhora voltou a dialogar com Sofia dizendo:
-És uma linda menina, que dança muito bem! Nunca tinha assistido a uma dança tão arrebatadora como a tua! Deste um grande espectáculo!
Sofia, já com um ar tranquilo, respondeu:
-Muito obrigado por tudo! O meu sonho é ser professora de dança! É uma paixão que eu tenho desde criança…
Os júris aplaudiram Sofia com uma salva de palmas e disseram-lhe que acabara de ganhar um convite para dançar numa academia de dança em Londres.
Sofia esboçou um sorriso enorme e foi contar a grande novidade aos seus pais.
Estes ficaram felicíssimos por tal novidade, abraçaram a filha, e felicitaram-na.
No dia seguinte, a família partiu para Londres à busca do sonho de Sofia que prosseguiu com o entusiasmo que mantinha desde criança.

___________________________________Patrícia Ribeiro

05 julho, 2009

Desafio 11

Crianças em Aão











By: Jasenka Petanjek (Zagreb)

Material necessário:
Papel, Caneta, Parque Infantil ou outro local com crianças a brincar.

Exercício:
Trata-se de um exercício de observação e de uma escrita seca, desprovida de adornos. Está proibida a utilização de adjectivos e metáforas ou outras figuras de estilo. Pretende-se, apenas, que descrevas acções, em frases curtas e dando privilégio, obviamente, aos verbos. Se "a criança de olhos azuis e bibe às risquinhas desce, reguila e risonha, o escorrega", deverás escrever qualquer coisa do tipo: "Criança sobe escadas do escorrega. E ri. E desce o escorrega. E ri."
in, desafio: escrever
Desafio 10
Telegrama

Material necessário:
Papel,Caneta

Exercício:
O contexto é o mesmo do exercício anterior, Carta de Despedida. A diferença é que, agora, tudo se precipitou e não houve tempo para uma longa carta de despedida. Chegado ao destino, envias um telegrama com explicações. O telegrama deverá ter no máximo 15 palavras.
in, desafio: escrever

Telegrama

Venho despedir-me através de telegrama. Fui-me embora porque não gosto de ti.
Adeus


__________________________________ Diogo Assunção
Desafio 9

Carta de Despedida

Material necessário:
Papel, Caneta

Inspiração:
Há alguém que decide partir, depois de uma difícil e longa reflexão, mas deseja explicar ao que fica todas as razões que o levaram a esse acto desesperado.

Exercício: Tu és aquele que parte e que deixa uma longa carta de despedida com todas as explicações àquele que fica.

in, desafio: escrever
Desafio 8

Homem Por Fora, Bicho Por Dentro

Material necessário:
Papel ,Caneta

Inspiração:
Ele sente-se doente. E confuso. Marcou uma consulta num psiquiatra. Está, neste momento, deitado no divã. Exercício: O exercício anterior (Mistério em Forma de Mulher) forneceu-te 5 palavras que terás de utilizar no monólogo deste homem. Ele conta ao psiquiatra tudo aquilo que o preocupa, incomoda e a razão porque o está a consultar.
in, desafio: escrever
Homem por fora, bicho por dentro

- Bom dia, senhor doutor. A natureza desta consulta é porque eu tenho tido uns sonhos estranhos e creio que estou a ficar louco.
O psiquiatra disse ao paciente para ter calma e lhe contar mais sobre esse sonho. Foi então que ele disse que estava a sonhar com a sua falecida mulher e que ela lhe dizia para ele ir ter com ela onde moravam antigamente, quando ela era viva.
O médico decidiu marcar uma consulta de hipnose. Passados quatro dias ele foi à dita consulta e estava bastante nervoso com o que psiquiatra lhe poderia dizer no final da sessão. O doutor descobriu que a mulher não estava morta, como o paciente havia pensado. Estava viva e fazia-lhe bruxarias para ele ficar assim.
O paciente interrogou-se:
- Mas porque é que ela está a fazer isto?! Nunca tive nada de mal com ela, sempre estivemos bem!
Visto isto o psiquiatra tentou explorar mais profundamente aquela história. Uns tempos depois o homem morre de causas naturais e sem explicação. Para além disso, era uma pessoa nova.
________________________________________ David Vivas
O homem trabalhador

Ele sentia-se um pouco doente. Passados alguns dias na mesma condição, marcou uma consulta num médico. Nesse mesmo dia pediu alguns dias de férias e de seguida foi para casa descansar, deitou-se no divã a ver televisão. No outro dia foi ao médico mas o médico não encontrou nada de anormal nele: fez vários exames e só acusou cansaço. O médico mandou-o para casa descansar e fazer poucos esforços.
O homem, em vez de ir trabalhar, no dia seguinte não! Gozou o resto dos dias como a maior parte dos portugueses faz e é por estas e por outras que o país está assim.
Quando regressou ao trabalho parecia um bicho-do-mato a esconder-se dos colegas e dos amigos, só para não trabalhar e para não conviver com as pessoas no trabalho.
________________________________________J. Nunes

Homem por Fora, Bicho por Dentro

Está um homem deitado no divã ao lado de um psiquiatra.
Ele diz sentir-se doente e confuso e para tal marcou esta consulta.
O psiquiatra começa por perguntar se já alguma vez se tinha sentido assim e pedindo para definir o que sentia mesmo ao certo.
O paciente aparenta um ar muito estranho e lambe-se como um animal.
O psiquiatra vê que tem um caso muito bicudo com este homem.
O homem começa por dizer que a mulher fugiu com outro e ele ultimamente não tem dormido e que tem andado a vaguear pelas ruas com a companhia de uma garrafa de vinho.
Acabada a sessão o psiquiatra avalia o doente e vê que ele não é lá muito certo e pensa que a mulher o deve ter deixado por isso.
Passados dois dias o doente volta para outra sessão.
O psiquiatra começa por perguntar como estava e se ainda tinha aqueles sintomas ao que o paciente responde que andava com desejo de comer peixe.
O psiquiatra concluiu que o homem devia pensar que era um animal.
Meu amigo diga-me como e que a sua mulher o deixou – pede ele ao doente. Então o homem começa por dizer que está ali porque os amigos o aconselharam a consultar um psiquiatra, dizendo que ele estava maluco.
Bem, acho que os seus amigos lhe deram um bom conselho mas conte-me a causa de tanta agitação a razão de a sua mulher o ter deixado, para o poder ajudar - continuou o médico.
Sr. Doutor, a minha mulher deixou-me pois ela dizia que eu começava a ter comportamentos estranhos e ela tinha um amante de 89 anos com muito dinheiro. Dada a situação comecei a andar de bar em bar e pelas ruas - continuou o doente.
O psiquiatra pergunta-lhe quais eram os comportamentos estranhos ao que ele responde que certo dia estava num beco e começou a falar com um gato, passando a falar todos os dias com ele.
O psiquiatra viu que a cura do homem não era assim tão fácil e optou pelo internamento num manicómio até que ele recuperasse.
Porém não foi assim. O homem foi para o manicómio e piorou, começou a falar sozinho e a comportar-se como um gato.
______________________________________Fábio Trindade
HOMEM POR FORA, BICHO POR DENTRO

Senhor doutor, só vim à sua consulta porque me obrigaram. É escusado dizer que sou um autêntico bicho por dentro e que as pessoas têm a ideia que uma consulta de psiquiatra é equivalente a uma consulta de malucos. Mas pronto, eu lá vim à consulta para não me chatearem mais...
Pronto ok, até lhe confesso, senhor doutor, que me sinto um pouco embicharado por dentro e até mesmo perturbado cada vez que penso em certas coisas.
Todos os psiquiatras dizem que têm absoluto sigilo profissional mas será mesmo? Se o senhor doutor prometer que esta conversa não sai deste gabinete, então atrevo-me a contar-lhe tudo, para que alguém, ao menos, me tente ajudar e me tente perceber.
Em síntese, limito-me a dizer-lhe que me sinto completamente derrotado pela vida, para além de me sentir completamente desamparado, sozinho, triste, desiludido e magoado com tudo e todos.
Palavras? Para quê? Oh senhor doutor, falar é muito fácil mas o pior é sentir-me como me sinto.
Mais concreto do que isto não consigo: sinto-me um autêntico homem por fora e bicho por dentro.
Se me perguntarem se tenho razões concretas para me sentir assim eu respondo-lhe, imediatamente, que a minha vida já não tem sentido nenhum e soluções concretas para o meu estado já não existem.
Pronto, isto é basicamente o que sinto e mexe cá dentro de mim.
Mas, senhor doutor, peço-lhe por tudo que esta conversa morra aqui neste gabinete, pois já tenho a fama de ser maluco e não necessito de ter mais.
E agora o que faço, senhor doutor?
É possível um homem sentir-se homem por fora e bicho por dentro?
Confesso que no início não queria vir à sua consulta mas agora que me fartei de falar, pelo menos sinto-me mais aliviado e com a ideia que afinal muitas pessoas deveriam passar pelo mesmo que eu, para perderem a ideia que as consultas de psiquiatria são só para malucos.
Por favor, ajude-me senhor doutor.
Sou um autêntico homem por fora e bicho por dentro...

______________________________________Patrícia Narciso